Vocação e Missão

No começo dos anos 90, eu vivia o início da minha adolescência na cidade de Joinville, em Santa Catarina, no Brasil. Minha mãe já havia permitido que eu pudesse ir de ônibus para o centro da cidade.

Naquela época, vivi muitas experiências, algumas hoje já ultrapassadas. Uma delas foi ter frequentado um curso de datilografia e, em seguida, de Computação. As outras que ocupavam os meus finais de semana, e que não são antigas, eram a catequese de perseverança, encontro de coroinhas e clube vocacional. Os sábados e domingos eram curtos para tanta alegria e disposição. Após o crisma, em 1991, decidi fazer uma experiência no seminário da mesma Congregação do meu tio que já era padre e nos contava muitas histórias das missões no Maranhão. Em janeiro de 1992, entrei na chamada “Escola Apostólica São Judas Tadeu” em Terra Boa, no noroeste do Paraná, 550 km distante da minha família. O tempo naquela cidade, no outro Estado, Cultura, Sotaque e História contribuíram para o meu processo vocacional e missionário.

Isso é fato, nossa formação dehoniana é rica de desafios e experiências multiculturais incríveis. Foi então que aconteceram meus primeiros contatos com pessoas missionárias. Padre José Benedito Machado (Padre Benê), na época, reitor do seminário, preparava-se para ir aos Estados Unidos aprender Inglês e ser missionário nas Filipinas. Padre Virgínio Bressaneli, hoje bispo na Argentina, era nosso superior geral. Em 1993, ele visitou nosso seminário, contou a sua história vocacional e a influência que o Padre Longo, missionário por muitos anos na África, teve no seu processo vocacional. No ano de 1996, eu tive a primeira oportunidade de participar das Missões Dehonianas Juvenis em Corupá, no grupo que o Padre Antônio Wagner da Silva coordenava; hoje, Dom Wagner é bispo em Guarapuava, no Paraná. No ano de 1998, já na etapa do noviciado, a pessoa do Padre Osnildo Carlos Klann deixou as marcas das missões dehonianas no meu coração. Dez anos depois, com a ordenação, em 2008, os horizontes ficaram maiores.

Minha missão começou no Seminário São José em Rio Negrinho; em seguida, fui mais três anos residir na sede provincial em Curitiba onde coordenei o Serviço de Animação Vocacional na Província, o que se estendeu por mais dois anos seguidos no Seminário de Corupá. No final de 2014, fui convidado pelo provincial para integrar o projeto de parceria entre as províncias do Brasil e da Alemanha.

Herz Jesu Kloster – Freiburg

Em janeiro de 2015, residi na comunidade do Kloster Herz Jesu, na cidade de Freiburg, no sul da Alemanha, para o aprendizado da língua alemã. No final de dois anos de curso de alemão, muitos vocábulos, regras gramaticais e culturais, depois de ter passado na prova de carteira de habilitação e recebido um visto de trabalho para dois anos, tive a oportunidade de viver, por seis meses, em nossa comunidade internacional, em Berlim.

Convento dos dehonianos em Berlim

Na capital da Alemanha, os dehonianos colaboram com o arcebispado, em uma paróquia, em uma missão de língua portuguesa, no auxílio de dois hospitais e de uma pastoral específica para acompanhar e evangelizar pessoas, sem qualquer vínculo religioso, no seguimento de Jesus, e favorecer o acolhimento delas em uma comunidade cristã.

Kloster Maria Martental

Em julho de 2017, passei a integrar a comunidade do Kloster Maria Martental na região de Cochem, no oeste da Alemanha. Nossa comunidade religiosa era formada por seis padres de cinco diferentes países: Alemanha, Moldávia, Índia, Polônia e Brasil. Ali acompanhamos o trabalho pastoral no Santuário anexo ao convento, nas paróquias e comunidades, no carmelo, nas obras sociais com idosos, deficientes, jovens e crianças e, ainda, alguns dos nossos padres promovem cursos e retiros. Algo muito interessante, pelo qual há um carinho especial, são as peregrinações. Naquela região, existem muitas rotas de peregrinação. Duas muito conhecidas são: o Caminho de São Tiago de Compostela e o Caminho de São Matias até Trier, uma das cidades mais antigas da Alemanha.
Hoje, alguns religiosos brasileiros continuam naquele antigo continente, mas outrora, foram os padres e os frateres provenientes da província da Alemanha os primeiros missionários dehonianos no sul do Brasil. Desde longa data, há, entre as províncias dehonianas no mundo, uma parceria de recursos e intercâmbio de pessoas. A parceria entre o Brasil e a Alemanha vem de muito tempo, mas há 15 anos, as províncias brasileiras se comprometeram a intensificar as missões e a cultivar os vínculos de nossa espiritualidade, a disponibilidade e a missão, entendidas nas expressões latinas: “ecce venio e ecce ancilla” e reparação e fraternidade na expressão: “sint unum”.

Atualmente resido como formador no Convento Sagrado Coração de Jesus em Brusque e atuo acompanhando o Movimento Campista Santa Terezinha do Menino Jesus. Nosso seminário acolhe 23 seminaristas e estudantes de Filosofia. Neste ano de 2019 comemora-se 95 anos desde os primeiros seminaristas acolhidos aqui em 1924.

Nesse carisma, muitos jovens e tantos religiosos já doaram suas vidas e outros ainda hoje acreditam que é possível viver o seguimento de Jesus, movidos pela espiritualidade de Padre Dehon e, inpirados nele, “orar e agir” para que VENHA A NÓS O VOSSO REINO, em latim, “Adveniat Regnum Tuum”.

PADRE JAIRSON HELLMANN

 

 

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