Uma voz que me move…

“As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem” (Jo 10,27)

A alegoria do Pastor fala de “escuta”, “conhecimento”, “seguimento” e “vida eterna”, que é a chave do tempo pascal; ao mesmo tempo, num aprofundamento progressivo, o texto remete ao Pai e culmina na Unidade, como Fonte de onde tudo procede e para onde tudo retorna. São estas realidades que nos permitem conectar com o sentido originário da imagem do Pastor, sem cair na literalidade pastor/ovelhas, paternalismo/cordeirinho, poder/submissão…, que acabam provocando uma justificada resistência e rejeição.

Jesus quer estabelecer com seus(suas) amigos(as) uma relação que seja o reflexo daquela que Ele mesmo tem para com o Pai: uma relação de pertença recíproca, na confiança plena, na íntima comunhão. Para expressar esta realidade profunda, esta relação de amizade, Jesus utiliza a imagem do pastor com suas ovelhas: ele as chama e elas reconhecem sua voz, respondem a seu chamado e o seguem. Esta parábola é muito instigante. O mistério da voz é sugestivo: desde o ventre de nossa mãe aprendemos a reconhecer sua voz e, quando nascemos, vamos reconhecendo outras vozes. Pelo tom de uma voz percebemos o amor ou o desprezo, o afeto ou a frieza, a acolhida ou a rejeição. A voz de Jesus é única! Se aprendemos a distingui-la de outras vozes, Ele nos guiará pelo caminho da vida, um caminho que supera também o abismo da morte

O versículo destaca dois traços, os mais essenciais e imprescindíveis: “Minhas ovelhas escutam minha voz… e elas me seguem”. Não se trata só de ouvir a Jesus, mas de escutá-lo. Muitas vezes só ouvimos e aceitamos somente o que está de acordo com nossos interesses. Escutá-lo significa aproximar-nos sem pré-juízos e acolher o que Ele nos diz, mesmo que isso implique mudar nossas convicções; escutar é pôr toda nossa atenção para tratar de compreender. “E elas me seguem”. Não basta escutar, é preciso colocar-nos em movimento e entrar na nova dinâmica da vida. Escutar tem ressonância interna e ativa todas as nossas potencialidades ali presentes.

Em um mundo onde há tanto ruído, discursos ocos e palavreado intolerante, não é fácil prestar atenção a alguma voz em especial. O fato é que às vezes vivemos em bolhas onde raramente entram vozes que nos comovam de verdade. E, no entanto, debaixo de gritos, ruídos, músicas estridentes, anúncios, peças publicitárias e frases que apelam ao conservadorismo, continua brotando palavras cheias de verdade. Palavras que valem a pena escutá-las. Talvez, detrás de muitos gestos petrificados, palavras sem sentido, falsas seguranças, estarão vozes que clamam por ajuda, ou simplesmente expressam dor, desejo de paz, de consolo.

O verdadeiro desafio é aprender a escutar, por debaixo desses discursos, a palavra profunda, o canto tranquilo ou a voz que põe em movimento. Saber escutar o outro é uma simples, mas profunda acolhida humana; trata-se de um ato de hospitalidade, pois consiste em abrir espaço para a presença do outro, sem preconceito. Porque quem escuta de verdade recebe toda palavra como nova e ativa a sensibilidade para deixar-se “tocar” pela voz que alarga a vida.

Vivemos mergulhados num mundo de vozes; um “vozerio” nos cerca: vozes que nos levam à morte, vozes que nos chamam à vida; vozes contaminadas pelo egoísmo, adulteradas pelo medo, deturpadas pela impureza, e vozes que são o eco do paraíso convidando para a festa, comunicando paz, convocando à comunhão… É possível que as vozes do egoísmo, do orgulho e da ambição tentem se disfarçar em voz de Cristo, a fim de arrastar-nos para o vazio e a ruína. Mas o Pastor verdadeiro não fala por ruídos, e sim pelo silêncio; não fala pela força dos pulmões, e sim pelo vento suave de seu Espírito…

Para escutá-la requer-se interioridade e atenção aos sinais de sua presença: pode ser a voz de um irmão pedindo socorro; pode ser a linguagem de um acontecimento alegre ou triste; pode ser uma palavra lida ou proclamada; pode ser uma inspiração misteriosa captada no silêncio…

Na arte do discernimento das vozes, o importante é, através da escuta interior, perceber de onde vem e para onde nos conduz cada voz que ressoa em nós. Se ela nos conduz  para o outro, para o Reino…é clara manifestação da voz do Pastor.

A voz do Pastor se manifesta ainda na voz dos seus seguidores como: Paulo e Barnabé, Terezinha de Jesus, João da Cruz, Teresa de Calcutá, Tereza de Avila, Jorge Bergóglio, o bispo de nossa diocese, os padres que servem as comunidades, os agentes de pastorais, o catequista, o diretor espiritual, o coordenador da missão, os coordenadores de equipes, nossos amigos e amigas, nossos pais, lideranças da sociedade, pessoas que já outras vezes ouviram a voz do Pastor e hoje o seguem e ressoam a voz divina. Por algumas situações estes são defrontados pelas vozes da maldade, da inveja, do ciúmes, da fofoca, da desunião, da ofensa, da calúnia e que quer calar a voz do Pastor, da Interioridade, e do Espírito. Assim alguns entre o povo, segundo o Livro dos Atos dos Apóstolos 13, responderam a palavra de Deus anunciada por Paulo: Ao verem a multidão, os judeus encheram-se de inveja e responderam com blasfêmias. E mais adiante o texto diz: Mas os judeus, instigando algumas senhoras piedosas mais distintas e os homens principais da cidade, desencadearam uma perseguição contra Paulo e Barnabé e expulsaram-nos do seu território.

Hoje eu me pergunto: Como ouço a voz do Senhor? Será que eu ouço e também escuto? Será que compreendo e guardo? Eu ouço, escuto, compreendo, guardo e ajo? Em que direção essa voz me guia, e eu quero ir nessa direção? E eu mesmo respondo: Senhor, tu sabes tudo, tu sabes que eu te amo. Como nos ilumina o Apocalipse 7:

Estes são os que vieram da grande tribulação, os que lavaram as túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro. Por isso estão diante do trono de Deus, servindo-O dia e noite no seu templo. Aquele que está sentado no trono abrigá-los-á na sua tenda. Nunca mais terão fome nem sede, nem o sol ou o vento ardente cairão sobre eles.

A voz do Senhor ressoa em toda parte, dai graças ao Senhor por que ele é Bom. Minha gratidão a todos os campistas, os de perto e os de longe. Obrigado pelo sim generoso que deram para os Acampamentos Fac, Sênior que já foram realizados; e para o 7° Juvenil, 24° Sênior, 9° e 10° Casais já em andamento. Em nosso ano campista do ÊXODO é visível, aos que creem, a graça de Deus pelo Espírito Santo derramada em todos os corações, organizando, ordenando e amado a cada um, cada equipe, cada missão, cada coordenação e todos os que ouvem a voz do Bom Pastor e se aproximam do Acampamento. Nos esforcemos para vencer entre nós todas desunião, dúvida, descrença, desânimo, inveja, ciúmes e as mais diversas tentações que somos afligidos. Encorajemo-nos uns aos outros a UNIDADE, pois somos todos as ovelhas, e elas jamais hão de perecer, ninguém as roubará da mão do Pastor. Deus é maior do que todos; e ninguém as pode arrebatar da mão do meu Pai. Eu e o Pai somos um.

Que Maria, seguidora fiel de Jesus, ilumine abençoe, proteja, defenda e alegre o coração de cada mãe e de todas as mulheres. Convido todos os Campistas para juntos celebrarmos dia 12 de maio as 18:00 na comunidade Sagrado Coração de Jesus nossa missa de Ação de Graças, presidida pelo Padre Silvano Costa de Itajaí. A todos minha prece e benção e a mim suas orações.

Padre Jairson Hellmann, scj

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