O Primeiro Amor

Chegou um novo ano e uma ótima oportunidade de fazer com ele se inicie como um novo tempo em nossas vidas. De fato é tempo de nascer de novo (cf. Jo 3,3-8), é tempo de resgatar o vivido (cf. Lc 15,17-19, 31-32), é tempo de reavivar o amor de Deus (cf. 1Tm 6,11-16).

Um dia Deus usou de seus caminhos e estratégias para chegar a nós. Ah! Sim, era o seu amor!

Na verdade, tudo depende dele, tudo que tem sentido na vida, tem mais significado nele, neste amor: o ser pessoa ganha nova dimensão, adquire mais dignidade… cria-se uma consciência de plenitude ede alargamento do coração. Além do mais, junto com toda profunda e bonita experiência do amor de Deus nasce uma chamada, ou em outra palavra, uma vocação. Trata-se de uma experiência cheia de energia, vitalidade, ternura, doce ferida (cf. Jo 8,4-11).

Começar bem o ano significa pensar no que é o mais importe? Saúde? Dinheiro? Família? Não, mas sim o amor de Deus, porque ter saúde, ser sarado, porém não ser amado provoca uma sensação de um vazio, um abismo sem fim no nosso interior. Ter dinheiro, mas não ter amor, deprime e rouba o sentido e a beleza de viver. Uma família sem amor, sem essência, é como um “ninho sem passarinhos”,é como um treino de“luta de foices no escuro”…

O primeiro amor, é forte, permanece, está sempre aí, à espera de ser acessado novamente (cf. Jo 15,1-17). Este amor é como um “copo de leite com chocolate”. Se não se bebe logo, o chocolate vai ao fundo do copo e o leite não mais tem gosto de leite e o chocolate acumulado parece não mais querer se desgrudar. É preciso misturar tudo novamente, aí sim, tem gosto de novo! Assim é o recordar do primeiro amor.

Basta ter um coração aberto, simples e desejar revivê-lo pela ação do Espírito Santo… e ele renasce… com a mesmaforça, com a mesma mensagem que Deus colocou no coração da pessoa naquela primeira vez. Por isso se chama: primeiro amor. Ele é marca do divino na criatura, ele é uma faísca do Eterno na breve passagem da nossa existência (cf. Jo 10,34-38). Logo, é importante silenciar para escutar e, em seguida, levar tudo muito à sério…

O acesso a este amor pode ser, por vezes, como uma doce ferida (cf. Hb 4,12-13). Mas o que isto significa? Pode ser uma ferida doce ou querida? Neste caso sim. É o caso de uma união de ternura e de dor. Ou seja, de um lado tem-se a ferida do vício, pecado, teimosia, medo e outros. Sim, uma ferida que, às vezes,é purulenta, com mau odor… um machucado. De outro lado, é doce, porque o amor de Deus é como um dedo que atinge a fonte da dor; dedo que faz doer com amor, e porque é um ato de ternura divino, é um toque que fere e cura, purifica e renova ao mesmo tempo e nos dá novamente a plena capacidade de amarmos.

Renascer de novo, portanto, tem gosto de um “leite com chocolate bem misturado”, é resgatar e reviver o toque de Deus na nossa vida. Porque nosso caminho de santidade é assim: composto da alegria da experiência de Deus, de sua ternura, e composto também do desafio da cura das feridas do coração e da nossa relação com os irmãos; é uma doce ferida!

O ano novo de 2017 se mostra como um tempo que Deus nos dá para vivermos em plenitude. Não deixemos o chocolate se amontoar no fundo do coração, mas sejamos atentos aos apelos que o Senhor nos fará neste novo ano. Seja um 2017 cheio do Espírito Santo de Deus e, sob o olhar de Maria e Santa Terezinha, possamos colocar nossos dons a serviço do nosso único e amado Senhor, Jesus Cristo.

Pe. Rubens Rieg

 

 

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