Maternidade – via de cruz e de ressurreição

Se viver é um desafio, viver a maternidade é se permitir um desafia novo, e não diria isso à cada dia, mas, a cada hora. Quantas vezes já ouvimos alguém dizendo que ser mãe é padecer no paraíso?! E essa é a mais pura verdade! No exercício da maternidade, a mãe padece e, ao mesmo tempo, se glória com Cristo.

Cada machucado que o filho sofre causa dor muito mais intensa em sua mãe. Cada decepção atinge sua mãe como um alvo certo. E isso não poderia ser diferente, já que para viver a alegria de trazer o filho ao mundo ela não se importa em passar pelos incômodos da gestação e pelas dores do parto. Mesmo aquelas que geram seus filhos no coração sofrem as dores da persistência até alcançarem a graça da maternidade, acolhendo uma criança no seu lar e esmerando-se em torná-la parte da sua família. Teria Deus gravado em todo coração materno que a dor preanuncia a alegria?!

Uma mãe padece todas as vezes que vê o filho adoecer e suspira aliviada, com o coração grato a Deus, ao perceber sua melhora; quantas padecem ao perder o seu bem mais preciso para a morte repentina – como Maria perdeu seu Filho para a morte de cruz. Quantas mães sofrem ao ver o filho persistir num caminho errado e ser açoitado por suas próprias escolhas desacertadas –  Maria sofreu ao ver seu Filho ser açoitado injustamente pelos carrascos enquanto percorria a via de nossa salvação. Maria experimentou a maternidade como via de cruz e de ressurreição.

Entretanto, aquela que é a Mãe de todas as mães soube suportar com paciência e temor a Deus, ainda que isso não diminuísse seu sofrimento, as dores da sua maternidade divina. Padecendo unida ao sofrimento  de Jesus, Maria teve esperança de que o melhor estava por vir. De igual modo, padecem as mães, pois cada uma carrega em seu íntimo uma esperança inabalável de que tudo pode melhorar para o seu filho!

Uma mãe se gloria com cada avanço alcançado por sua prole desde o momento do nascimento. Ouvir seu primeiro chorinho ao vir ao mundo (tenho certeza de que elas prefeririam que eles não precisassem levar aquele tapinha para chorar), ver o filho abrir os olhos pela primeira vez, dar o primeiro sorriso, balbuciar as primeiras palavras, dar os primeiros passos, provar de alimentos diferentes e se lambuzar com eles, são alegrias que marcam a maternidade.

Vê-lo ralar o joelho, cair da bicicleta, se machucar jogando bola ou brincando no parquinho são as dores que a mãe precisa aprender a enfrentar para não privar o filho de novas experiências. Dar bronca por um comportamento inadequado, chamar a atenção porque ele disse uma palavra desrespeitosa são alguns dos momentos difíceis da maternidade tão necessários para formar um bom cidadão.

Vê-lo aprender a reconhecer as letras, juntar as sílabas e conseguir ler, perceber como será sua caligrafia, se surpreender quando ele contar o que foi que aprendeu na escola e o quão maduro se mostra em algumas situações – despertam emoções difíceis de traduzir . Mas, a maior alegria, certamente, é ver sua criança se portar com benevolência com os outros e demonstrar ser caridoso e sensível para com as necessidades de um amiguinho – isso sim é o céu para uma mãe, é se gloriar em Cristo.

Para cada dia da maternidade, que todo momento de alegria de uma mãe se traduza numa prece de louvor a Deus. E que não seja diferente com as tristezas. Que as mamães não tenham medo dos sofrimentos e das dificuldades pelos quais precisam passar, mas que saibam unir suas dores as dores da Virgem Maria. Que padeça, mas que seja no paraíso, pois a maternidade é via de dor e alegria!

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