Conheça a mãe que deu a própria vida em favor dos filhos e tornou-se santa

Para muitos, ser santo é sinônimo de ser religioso, padre ou freira. A história da Igreja, porém, oferece inúmeros exemplos de homens e mulheres que ousaram aspirar à santidade na vida familiar, em uma profissão, em meio às atividades seculares. Giuseppe Moscati, Rita de Cássia, Zélia e Luís Martin, Tomás More, Mônica – mãe de santo Agostinho, para citar alguns nomes. Dentre estes, a médica, mãe e esposa Gianna Beretta Molla destacou-se como santa intercessora pelas gestantes e pelas mulheres que desejam engravidar dado sua por causa de sua história, profundamente ligada ao sacrifício no período gestacional. 

Depois de 3 filhos, frutos de um feliz e santo matrimônio com o engenheiro italiano Pietro Molla, sua última gestação foi ameaçada por um fibroma, no qual, para o avanço da medicina da época, somente um aborto eliminaria o risco de morte para a mãe. Gianna se opôs firmemente, apesar dos riscos lhe serem bastante conhecidos como médica que era. Em meio a este cenário, Gianna mantinha seu “temperamento bastante calmo, transparente, sincero, ativo”, conforme registram os documentos de sua canonização. Era a santidade que brilhava desde tenra juventude.

Mulher, esposa, profissional e mãe

Gianna nasceu em Magenta, na Itália, em 4 de outubro de 1922. Filha de Alberto Beretta, administrador de uma fábrica de tecidos em Milão, e Maria de Micheli, apesar de formada em educação infantil, havia escolhido a lida da casa e a criação dos filhos. O casal, que pertencia a ordem terceira franciscana, teve 13 filhos, dos quais 5 não chegaram aos primeiros anos de vida. Entre os estudos escolares, e educação de mamãe Maria, ao término do dia a família, se reunia para rezar o santo Rosário. A história da Gianna mulher era marcada por uma família construída sobre “uma vida cristã total e generosamente dedicada ao serviço de Deus e do próximo”, testemunho os autos da canonização. 

Gianna era uma entusiasta da juventude católica. Desde cedo dedicou-se à Ação Católica, na qual foi presidente da Juventude feminina, e serviu em inúmeros projetos como conferências, peregrinações, esportes, além de auxiliar famílias carentes com diversas iniciativas. Nesse ensejo descobre sua vocação à medicina, com a intenção de ajudar o próximo, levando alegria e paz aos sofredores. 

O desejo pela missão

Diante de uma vida cheia de atividades, sobretudo em vista do bem comum, Gianna queria ser missionária no Brasil. Seu sonho era unir-se ao seu irmão Padre Alberto que estava construindo um hospital no Maranhão. Porém, devido sua pouca saúde, os familiares, seu diretor espiritual e o bispo de Bérgamo orientaram que ela mudasse de ideia. Diante de tantos pareceres, obedeceu e a partir de então começou a se interessar por constituir uma família. 

Em meados de 1954, Gianna conhece Pietro, na primeira missa do Padre Lino Garavaglia. Os encontros se intensificaram até que se descobriram um ao outro com os mesmos ideais de constituírem uma família cristã. Em suas primeiras cartas trocadas com Pietro expõe seu desejo: “Quero mesmo fazê-lo feliz e ser aquela que você deseja: bondosa, compreensiva e disposta aos sacrifícios que a vida nos há de oferecer” (Carta de 21/02/1955). 

Casaram em 24 de setembro. Logo após a lua de mel, a santa agora casada continuou as atividades de médica, e não deixou Ação Católica. Agora, era convidada a ser dirigente das senhoras casadas, cargo que conservou até o fim. 

Gianna fez da maternidade um caminho de santidade

Era primavera de 1956 e Gianna descobriu que estava grávida do seu primogênito. Pierluigi deu um novo impulso ao amor conjugal, criando novos laços. Porém, preocupações não faltaram: Gigetto, como era chamado pelos pais corria o risco de crescer com uma deslocação no quadril, Gianna sofria do estômago e Pietro sobrecarregado de trabalho. Logo depois, veio Maria Zita, apelidada carinhosamente como Mariolina.  O ano de 1958 foi muito difícil pra família. Gigetto com suas enfermidades, Mariolina dormia pouquíssimo à noite. Dificuldades enfrentadas por muitas famílias, e Gianna vivia tudo no amor por Cristo. Cardeal Martini escreveu “A santidade de Gianna é parecida com a de cada um de nós: ela enfrentou as mesmas dificuldades que enfrentamos do dia-a-dia, da vida profissional, da atenção à família, de acolhimento às visitas; e paciência nas vicissitudes de cada dia”. 

Mariolina tinha 6 meses e Gianna engravidou do seu terceiro filho, na mesma época Pietro precisou viajar a trabalho para os Estados Unidos causando uma grande dor ao seu coração, coincidindo com sérios problemas na gravidez. Nascia Lauretta que causou grande alegria, porque apesar de tudo, uma cesariana preservou sua vida. 

Gianna queria mais um filho. Após a gestação de Lauretta, teve dois abortos espontâneos. Em julho de 1961 surgiram os primeiros sintomas de uma gravidez, porém já no segundo mês apareceu na lateral direita do útero um fibroma. Para a medicina da época, só um aborto eliminaria todo risco. Mas como mãe e médica que era sabia que sua missão era promover a vida, não sacrificá-la. Gianna repetia decididamente: “Esta será uma gravidez difícil e deveremos salvar a criança ou a mãe, e eu quero que salve o meu filho.” 

Com seu impulso de mãe guerreira, a santa levou a termo sua gravidez, no qual nascia Gianna Emanuella. Porém, o quadro se agravou muito. Gianna sofria dores horríveis, e as oferecia a Jesus. Segundo Pietro, na manhã de 25 de abril, a poucos dias de sua partida, Gianna disse a seu esposo: “Mandaram-me a este mundo para sofrer também, porque não é justo apresentar-me ao Senhor, sem nenhum sofrimento”.

E ao amanhecer de 28 de abril, certamente ouvindo a voz de suas crianças que acordavam, Gianna faleceu, entregando-se nos braços de Deus. 

Uma história que até hoje cativa inúmeros vocacionados ao matrimônio cristão, que enxergam na vida da Santa um seguro itinerário de santidade matrimonial.

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