Lições que podemos aprender com Santa Cecília sobre a evangelização através da música

Filha de um Senador Romano nobre, rico e influente, Santa Cecilia nasceu em Roma por volta do ano 150. Embora tenha nascido em uma família pagã, Cecília foi muito religiosa desde a infância. Na juventude, decidiu afastar-se dos prazeres da vida, e no mais íntimo segredo fez o voto de castidade para, então, viver o amor unicamente a Jesus Cristo. Gostava muito de estudar, principalmente filosofia e música sacra.

Sua vida transcorria normalmente até ela receber a notícia de que havia sido prometida em casamento a Valeriano, um jovem nobre romano. Sua reação foi rezar pedindo a proteção da Virgem Maria, de Deus e dos anjos para que não precisasse quebrar seu voto de castidade. No dia do casamento, profundamente triste, ela contou ao noivo sobre sua fé e começou a falar-lhe das glórias de Deus e sobre Jesus Cristo. Falou-lhe também sobre seu voto.

Uma vida de evangelização e missão

A história narra que Valeriano ouviu tudo estarrecido. Sua noiva falara de Deus com tanta convicção que de pagão converteu-se ao cristianismo. Na mesma noite, o jovem recebeu o batismo. Extasiado, Valeriano contou ao seu irmão, Tibúrcio, o que havia lhe acontecido. Também ele foi mais um pagão que se converteu ao catolicismo por meio do testemunho de vida da jovem Cecília.

Surpresa por ver a ação de Deus se manifestando por meio de sua vida, conta-se que naquela noite Cecilia agradeceu a Deus cantando: “Senhor, guardai sem manchas o meu corpo e minha alma, para que não seja confundida”.  Cecília mostra, com a vida, que tinha consciência sobre sua missão. Evangelizar, para ela, era uma questão urgente e brotava de uma experiência.

 

Sacrifício e martírio: Santa Cecília não negociou sua pertença a Jesus Cristo

Tempos depois, o prefeito de Roma quis o tesouro dos dois irmãos que haviam se convertido. Porém, os dois já haviam distribuído seus bens aos pobres. O prefeito, então, exigiu que eles abandonassem a fé cristã, sob pena de morte. Mas os dois não renegaram. Foram condenados à morte e decapitados.

Depois disso Cecília foi chamada ao conselho romano e exigiu que ela revelasse onde estaria o tesouro dos dois irmãos. Ela confirmou a informação de que tudo havia sido distribuído aos pobres.  Enraivecido, o prefeito exigiu que ela renunciasse a fé cristã e adorasse aos deuses romanos a fim de poupar sua vida. Com coragem e serenidade, ela se e acabou condena à tortura.  Aos soldados romanos, encarregados de massacrá-la, Santa Cecilia começou a falar sobre as maravilhas de Deus, sobre a verdadeira religião, sobre o sentido da vida e sobre Jesus Cristo. Também os soldados se converteram ao cristianismo e pouparam a vida da jovem.

Indignado, o prefeito de Roma mais uma vez deu ordens para que outros soldados trancassem Cecília no balneário de águas quentes, logo na entrada dos vapores, do seu próprio castelo. Ali ela deveria morrer por asfixia devido aos vapores ferventes que aqueciam as águas. Ninguém dali sairia vivo.  Mas Cecilia saiu. Milagrosamente ela foi protegida da morte.  Ainda mais alarmado, o prefeito mandou que ela fosse morta com três golpes de machado em seu pescoço. O algoz obedeceu, mas não conseguiu arrancar sua cabeça, coisa que ele estava acostumado a fazer com apenas uma machadada. Ele deixou a mártir em dolorosa agonia.

Todos estavam impressionados com a fé daquela jovem que enfrentava a morte sem receios. Cecília permaneceu viva por mais três dias. Conversava com aqueles que lhe cercavam, dava-lhes concelhos. Percebendo que sua morte se aproximava, ela pediu ao Papa que entregasse todos os bens que deixava para os pobres e que no local de sua casa fosse construída uma igreja – o que aconteceu mais tarde. Nessa Igreja, que recebeu o nome de Santa Cecília, já no século VI costumou-se celebrar sua memória no dia 22 de novembro.

Nos seus últimos instantes de vida, Cecilia começou a cantar as maravilhas de Deus e, por fim, entregou sua alma ao seu Amado Senhor. Seu corpo foi sepultado na catacumba de São Calisto e desde então passou a ser venerada como mártir.

Tempos depois, devido às sucessivas invasões ocorridas em Roma, as relíquias de vários mártires foram trasladadas para algumas igrejas. No entanto, as de Cecília permaneceram perdidas por muitos séculos, até que a Santa apareceu em sonho ao Papa Pascoal (817-824) revelando-lhe onde estavam seus restos mortais. Seu caixão foi, finalmente, localizado. Ao abrirem, verificou-se que seu corpo permanecia incorrupto. Suas relíquias foram, então, colocadas numa urna de mármore sob o altar da igreja que outrora foi construída no local onde antes era a sua casa.

Séculos se passaram e em 1559, o cardeal Sfondrati ordenou que a urna fosse novamente aberta. Mais uma vez constatou-se que seu corpo permanecia intacto.

Santa Cecília expressava na música sua intimidade com Deus

Santa Cecília expressava sua profunda intimidade com Deus pelo canto. É por essa sua forma tão genuína de demonstrar fidelidade a Igreja, amor e bondade ao próximo, que a Igreja tem Santa Cecília por padroeira dos músicos e do canto sacro. Ela viveu em plenitude o versículo bíblico que todos somos chamados a cantar com nossas vidas: “Em todas as circunstâncias, dai glória ao Senhor” (1Ts 5,18).  Essa é a primeira lição que aprendemos com essa santa: não importa o que acontece em nossas vidas, importa é termos Deus em primeiro lugar.

A Igreja tem a música sacra como um dos elementos mais significativos na evangelização, como um “tesouro de inestimável valor, que excede todas as outras expressões de arte, sobretudo porque o canto sagrado, intimamente unido com o texto, constitui parte necessária ou integrante da Liturgia solene” (Sacrosanctum Concilium,112).  Também a Palavra de Deus evidencia a capacidade da evangelização pela música e a importância do canto na vida espiritual do cristão. Por isso indica: “Recitai entre vós salmos, hinos e cânticos espirituais. Cantai e celebrai de todo o coração os louvores do Senhor. Rendei graças, sem cessar e por todas as coisas, a Deus Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo!” (Ef 5,19).

A partir do testemunho de vida de Santa Cecília compreendemos que a confiança nos torna serenos. Ela confiou em Deus e foi fiel mesmo diante da ameaça de morte. Preferiu ser martirizada a perder a vida eterna. Não se abalou. Manteve-se firme mesmo em agonia e cantou a Deus. Saibamos nós confiar no Senhor com tanta veemência a ponto de não demostrarmos em nossa face a agonia que carregamos no peito, e que nossa voz declame “de todo coração” louvores ao Senhor.

 

Dia 22 de novembro, além de ser o dia em que a Igreja celebra a memória litúrgica de Santa Cecília, é também o dia do músico cristão.

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