Convocados ao arrependimento e à conversão

Querida família campista!

quaresmaEstamos em tempo de Quaresma, momento em que a Igreja nos convoca à íntima união ao “mistério de Jesus no deserto” (Catecismo da Igreja Católica, 540) e a uma consequente conversão em preparação à Páscoa do Senhor. Podemos viver este tempo por meio de “exercícios espirituais”, liturgias penitenciais”, “peregrinações em sinal de penitência” (como vivemos no último dia 15, no Morro da Cruz, em Nova Trento), “privações voluntárias como o jejum e a esmola” e a “partilha fraterna” (CEC, 1438). Sendo que, em tudo isso, está presente a humildade, a obediência e a oração, com o objetivo de cumprir a ordem do próprio Cristo: “O tempo se cumpriu, e o Reino de Deus está perto. Arrependam-se e acreditem no Evangelho” (Mc 1,15).

Convocados ao arrependimento e à conversão, seja pessoal ou comunitária (o papa Francisco nos pede “uma conversão pastoral e missionária” – Evangelii Gaudium, 25), temos primeiramente que realizar o exercício da humildade e nos reconhecer pecadores. Humildes, nos aproximamos da “misericórdia divina revelada na cruz e na ressurreição”, ou seja, no “mistério pascal”, que celebramos ao final da Quaresma (A Misericórdia Divina, 7). Para isso, colocamos nossa confiança, nossa fé e esperança em “Jesus, o Filho de Deus”, que “não é insensível à nossa fraqueza” (Hb 4,14-15).

Com a prática da humildade nos encontramos com a misericórdia divina, nos arrependemos do pecado cometido e dele nos libertamos. Libertos do pecado podemos acreditar no evangelho de uma forma mais autêntica e intensa, como verdadeiros cristãos. Isto nos é essencial, pois é a esse mesmo evangelho, onde se encontra a vida de Cristo, que devemos obediência. E essa obediência a Cristo e seu Evangelho implica também no seguimento à Igreja, a exemplo dos primeiros cristãos que “eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos” (At 2,42). Por isso, em consonância com a Campanha da Fraternidade deste ano, inspirados por seu tema (“Fraternidade, Igreja e Sociedade”) e por seu lema (“Eu vim para servir” – Cf. Mc 10,45), temos um objetivo quaresmal em comum: intensificar nosso serviço aos irmãos.

Para bem sustentarmos a nossa prática quaresmal, também podemos nos inspirar em nossa padroeira, Santa Teresinha do Menino Jesus. Ela vivia uma profunda união com o Senhor. Sua vida era guiada pela oração, a qual vivia plenamente. Tanto que exortava para que, em meio ao trabalho, se fizesse oração; se percebesse que este tempo é do bom Deus e que não temos direito de tomá-lo (Cf. Conselhos e Lembranças, p. 71).

Não desperdicemos, portanto, esse oportuno tempo para o nosso aprofundamento na vivência cristã. Já em preparação para as missões Sênior e Juvenil, sigamos com firmeza a nossa caminhada quaresmal, para que, conscientes do nada que somos sem Deus, consigamos assumir o tudo que podemos ser a partir Dele. “Corramos com perseverança a corrida que nos espera, com olhos fixos em Jesus, que leva nossa fé à perfeição” (Cf. Hb 12,2a). A mesma fé que nos transforma em “uma nova criatura” (Lumen Fidei, 23), em pessoas novas para um mundo novo. Esse é o nosso grande desafio, amado campista, nos deixar transformar e renovar pela graça divina.

Com estima, Pe. Luciano José Toller, scj.
Orientador Espiritual do Movimento/ Março 2015

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