Conheça o santo do “parto feliz”: São Geraldo Magela

Quando pensamos em maternidade ou rezamos por um “parto feliz”, geralmente recorremos à Virgem Maria, pois a mulher que trouxe ao mundo o Salvador, a Mãe de todas as mães, parece ser a que melhor entende as aflições deste momento. Mas você sabia que o protetor das mulheres grávidas no momento do parto é um homem? Sim! E ele é um santo homem.

São Geraldo Magela recebeu esse título porque socorria as mães com suas orações durante as aflições do parto, alguns deles em condições complicadas tanto para a mãe quanto para a criança. Tudo começou quando uma jovem que, tendo esquecido seu lenço, voltou para buscá-lo. São Geraldo –que tinha muitos dons espirituais – teve um pressentimento e alertou a moça: “Guarda-o, pois te será útil um dia”. Tempos depois, no momento de dar à luz, a moça se recordou do que Geraldo havia lhe dito. Pediu que lhe trouxessem o lenço. Agarrou-se a ele com fé. Geraldo mais uma vez sentiu a agonia da jovem mãe e rezou por ela. Aquele parto complicado logo se resolveu.

Sabendo do acontecido, outras mulheres testemunharam que conseguiram dar à luz, que sobreviveram ao parto e que seus filhos nasceram saudáveis graças à intercessão de Geraldo, que as acompanhava espiritualmente com suas orações. Quando lhe era possível, o santo se fazia presente no local onde a criança estava por nascer.

A vida desse santo é mesmo muito curiosa. Por ser o mês das mães, vamos conhecer um pouco mais o que tornou esse santo um especial amigo e intercessor das mulheres nos momentos mais temidos por elas: as dores do parto.

Da alfaiataria aos altares

São Geraldo nasceu na Itália em 1726. O menino cresceu na alfaiataria de seu pai que faleceu precocemente quando o filho tinha apenas 14 anos. A família, depois disso, passou por alguns reveses. Sem dinheiro para sustentar a casa, dona Benedita, sua piedosa mãe, viu seus filhos sofrerem a fome.

Geraldo assumiu a responsabilidade de cuidar dos seus entes e, seguindo o exemplo do pai, foi trabalhar numa alfaiataria. Essa experiência, no entanto, não foi bem-sucedida. Seu patrão o maltratava, o que tornou tudo ainda mais árduo para o jovem Geraldo. Mas ele não se queixava.

Tempos depois, num desejo quase que inconsciente de servir a Deus, Geraldo se deparou com a oportunidade de trabalhar para o bispo de Lacedônia. Mesmo tendo sido alertado para que não assumisse tal trabalho, destemido ele aceitou essa missão. Ele acreditava que estava fazendo a vontade de Deus, e isso lhe bastava. Essa certeza o fez perseverante. Diferente de outros que não conseguiram passar mais do que uma semana naquele emprego, Geraldo trabalhou com afinco até a morte do bispo. Encontrava alívio e descanso nos momentos em que passava ajoelhado diante do Sacrário.

Depois do falecimento do bispo, Geraldo voltou para sua cidade natal e abriu sua própria alfaiataria. Do dinheiro que ganhava, separava o suficiente para alimentar sua mãe e seus irmãos e o resto gastava com os pobres. No seu mais íntimo, ele sabia que não era como alfaiate que seria feliz. O que ele queria era ser cada vez mais semelhante a Cristo.

Geraldo conseguiu ser admitido na Congregação dos Redentoristas, porém não foi ordenado sacerdote. Geraldo era irmão leigo. Como religioso, desempenhou as funções de alfaiate, jardineiro, enfermeiro e sacristão. Irmão Geraldo também amparava muitas jovens que desejavam entrar para um convento. Ele ajudava essas moças a conseguirem o dote necessário para a vida religiosa e as encaminhava para as congregações.

Sua bondade e seu amor a Deus e aos necessitados eram puros. No entanto, Irmão Geraldo se deparou com uma provação que o fez perceber que nem todos à sua volta eram como ele. Uma das moças que tentou ajudar a tornar-se freira, descontente da vida que levava, decidiu abandonar o convento. Como deveria apresentar uma justificativa para isso, resolveu mentir sobre a vida dentro do convento, acusando a irmãs de depravações. Logo desconfiaram que a moça mentia e ela, para se defender acusou Geraldo de pecados de impureza. A ex-religiosa escreveu uma carta dizendo que o religioso havia engravidado uma jovem. Tempos depois a moça ficou doente e escreveu outra carta demonstrando arrependimento e confessando que sua acusação era falsa. Geraldo morreu ainda jovem, aos 29 anos. Foi canonizado em 1904.

O santo do “parto feliz”

Mesmo depois de sua morte, por toda a Itália cada vez mais mulheres pediam a intercessão de Geraldo para que no momento do parto corresse tudo bem. As mães tornaram o religioso seu padroeiro, e algo que na sua beatificação foi revelado tem se perpetuado: São Geraldo Magela é o santo do “parto feliz”.

Ao longo dos séculos, em sua homenagem, maternidades carregam seu nome pelo mundo afora. E tantos meninos foram batizados com o seu nome porque no momento do nascimento seus pais recorreram à intercessão do santo.

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