Acolher, sinal de esperança e solidariedade para os venezuelanos no Brasil

 

Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo de Campos (RJ)

 

O drama dos imigrantes e refugiados venezuelanos bate às nossas portas, e sensibiliza nossos corações. Trata-se de um fluxo desordenado, massivo, em busca de sobrevivência, que leva contar mais de 40.000 pessoas em situação de precariedade, no Estado de Roraima.

 

A entrada diária de venezuelanos tem sido, aproximadamente, de 1.200 pessoas por dia. Trata-se de oferecer uma ação cristã de hospitalidade generosa e promoção humana integral, que defenda a dignidade dessas pessoas. Ainda, proteger e amparar as pessoas em situação de vulnerabilidade, que possam vir a ser vítimas do tráfico e exploração sexual e laboral, tarefa e missão da CEPEETH (Comissão Episcopal Pastoral Especial para o Enfrentamento ao Tráfico Humano) juntamente com os organismos públicos competentes.

 

O que vemos perto da fronteira Brasil / Venezuela, nos abrigos dos indígenas Warao, em Pacaraima e Pintolândia, e Tancredo Neves em Boa Vista, para os venezuelanos, é de veras desolador pelas prementes necessidades básicas e urgentes, interpela e desperta para ações imediatas de solidariedade e incidência efetiva. Talvez o primeiro passo seja vencer sentimentos negativos de xenofobia, de desconfiança e medo, que nos paralisam e intimidam. Ao mesmo tempo, percebe-se uma corrente humanitária que une, em rede, paróquias, Igrejas, ONGs, associações e grupos bem diferenciados, e os venezuelanos vão encontrando em outras partes do país, graças a convênios e parcerias, novos lugares de acolhida (aqui perto, no Rio de Janeiro), onde esperam ser documentados e integrados na sociedade, resgatando sua dignidade e cidadania.

 

O Brasil, país continental, é um cadinho de etnias, povos e nacionalidades, sempre vivenciou, com alegria e generosidade, a vocação de ser o logradouro da esperança para muitas pessoas refugiadas, perseguidas, e sobreviventes de situações de crise e fraturas sociais, econômicas e políticas. Fiéis a esta identidade tão bonita, de amparar, resguardar, e acolher, somos desafiados a exercer esta hospitalidade benfazeja em prol, desta feita, de irmãos latino-americanos e vizinhos, ampliando nosso coração e construindo, com esta atitude e abertura, um país que tenha o rosto da civilização do amor, da Paz e da fraternidade universal. Deus seja louvado!

 

Fonte: Notícias CNBB

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