A vocação Matrimonial e seus desafios nos tempos atuais

A partir deste domingo (12) a Igreja celebra a Semana da Família. Meditamos sobre o chamado dos cônjuges que se entregam um ao outro e aos filhos como sinal da oferta de Cristo a Igreja. Por isso, refletiremos quanto aos desafios enfrentados pelas famílias nos dias de hoje.

“O futuro da humanidade passa pela família” São João Paulo II/ foto: Paulo Bandeira

A vocação matrimonial é um belíssimo chamado de Deus. Na criação do homem e da mulher, Deus os abençoou e os concedeu a graça de obterem uma íntima comunhão. Ele os ordenou que crescessem e se multiplicassem (Cf. Gn 1,28). Se observarmos bem, veremos que a Sagrada Escritura relata as relações do matrimônio desde a criação do homem e da mulher à sua imagem e semelhança (Gn 1) até as núpcias do Cordeiro (Ap 9,19). Isso nos mostra o quão belo é o sacramento do matrimônio, visto que ele, desde sempre, é querido pelo Senhor.

O Matrimônio como chamado

Há quem ainda pense que o matrimônio é apenas a ordem natural da vida. Mas, conforme descrito acima, percebemos que ele é uma expressão do amor de Deus pela humanidade. Este sacramento foi fundado ainda no Antigo Testamento, com a criação e o amor de Adão e Eva, que uniram-se e tornaram fecunda as relações humanas, gerando Caim e Abel (Gn 4,1-16). Com o passar do tempo, o pecado entrou no mundo (Gn 3) e foi dominando a humanidade a ponto de gerar tragédias como a de Caim que matou seu irmão Abel (Gn 4).

A mulher confiada a Adão lhe representa “carne da sua carne” (Gn 2, 23). É uma resposta de um Deus que vem em socorro de seus filhos e que faz de tudo para que não se sintam sós. Esta união também nos mostra a aliança nupcial de Deus pelo seu povo. Em Jesus, este chamado é ratificado e elevado a dignidade sacramental no momento que Ele diz: “o que Deus uniu , o homem não deve separar” (Cf. Mt 19,6).  

Viver o matrimônio hoje

Atualmente, viver a vida matrimonial não tem sido uma tarefa fácil. Há muitos relatos de pessoas que se queixam quanto às dificuldades em viver este estado de vida. De fato, as problemáticas são muitas. Desde as diversas mentalidades erradas acerca do sacramento até a falta de maturidade humana dos noivos.

Muitos iniciam o casamento com a mentalidade do “vamos ver se dá  certo, se não der nos separamos”. Isso faz com que o relacionamento familiar já comece comprometido com o relativismo que não se preocupa muito com o compromisso firmado, podendo levá-los, posteriormente, ao divórcio.

De acordo com a Estatísticas do Registro Civil 2016, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país teve 1.095.535 de registros em 2016, 42 mil a menos que em 2015. Já o número de divórcios civis , realizados em 1ª instância ou por escrituras extrajudiciais alcançou o total de 344.526, representando um aumento de 4,7% frente a 2015 (328.960). Diante desse crescimento fica a pergunta: quais são os desafios que fazem com que o matrimônio perca o sentido de compromisso definitivo ?

Desafios da vida matrimonial  

A Exortação Apostólica Familiares Consortio ressalta  que no seio das famílias de hoje há “sinais de degradação preocupante de alguns valores fundamentais: uma errada concepção teórica e prática da independência dos cônjuges entre si; as graves ambiguidades acerca da relação de autoridade entre pais e filhos; as dificuldades concretas, que a família muitas vezes experimenta na transmissão dos valores; o número crescente dos divórcios; a praga do aborto; o recurso cada vez mais frequente à esterilização; a instauração de uma verdadeira e própria mentalidade contraceptiva” (Cf. FC 06). Estes desafios acabam ditando os passos da família. Como resultado dessa má vivência dos valores, vemos uma sociedade cada vez mais perdida em si mesma e esquecido de viver o amor, a partilha e a fraternidade.

Existem muitos outros desafios como  o da tecnologia e das redes sociais. Em si elas são amorais, ou seja, podem ser utilizadas para o bem ou para o mal. Entretanto, elas tem levado muitas famílias a viverem a crise do afastamento e dos desconhecimento uns dos outros. É comum encontrarmos, também na Igreja, pais relatarem que seus filhos não desgrudam dos aparelhos celulares. Gastam horas na internet e nem nos momentos de convivência familiar, como durante as refeições e lazeres, se desgrudam das redes.

O que esperar?

É importante que, mesmoiante de toda essa problemática, não se perca a  esperança. São João Paulo II nos diz que “o futuro da humanidade passa pela família” e pede a todo homem de boa vontade que se empenhe em salvar e promover os valores e exigências da família. Isso quer nos dizer que somos chamados a amar a família. “Amar a família significa saber estimar os seus valores e possibilidades, promovendo-os sempre. Amar a família significa descobrir os perigos e os males que a ameaçam, para poder superá-los. Amar a família significa empenhar-se em criar um ambiente favorável ao seu desenvolvimento” (Cf. FC 85). Certamente, a família que viver os valores cristãos do amor chegará à plenitude da Vida. Portanto, se você se sente chamado ao matrimônio, abrace-o com maturidade, com uma firme decisão de amar o seu cônjuge, seus filhos e, com eles, expressar a forma que Deus ama o seu povo.

Conheça a Exortação Apostólica Familiares Consortio 

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