5 coisas para aprender com o Papa Francisco sobre a santidade

Sim, a santidade é para todos! Essa afirmação veio de Jesus quando determinou: “portanto, sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5,48).

Contudo, ser santo não consiste em fazer grandes coisas, como muitos pensam. É possível viver a santidade todos os dias, em pequenos e corriqueiros gestos.

Santo Afonso de Ligório dizia que “toda a santidade consiste em amar a Deus e todo o amor a Deus consiste em fazer a Sua vontade”. Ele também afirmou que “Deus quer que todos sejam santos e cada um no lugar onde foi chamado” (cf. Prática do amor de Jesus Cristo).

Talvez agora você esteja se questionando. Mas, afinal, o que posso fazer na prática para viver a santidade?

Para te ajudar nessa caminhada, fomos buscar algumas dicas na Exortação Apostólica Gaudete Et Exsultate, do Papa Francisco, que trata sobre o chamado à santidade.

Neste documento, o Papa Francisco dedicou um capítulo a falar de alguns traços espirituais que ele afirmou serem “indispensáveis para compreender o estilo de vida a que o Senhor nos chama”, ou seja a santidade.

Vejamos quais são esses traços espirituais!

1. Ser santo é suportar com paciência e mansidão

O primeiro grande traço espiritual do cristão compõe essas três características: suportação, paciência e mansidão. Mas como conseguimos isso? Conseguimos quando permanecemos firmes em Deus.

“A partir desta firmeza interior, é possível aguentar, suportar as contrariedades, as vicissitudes da vida e também as agressões dos outros, as suas infidelidades e defeitos” (Gaudete Et Exsultate, 112).

Nesta união com Deus, temos a fonte da paz.

“Com base em tal solidez interior, o testemunho de santidade, no nosso mundo acelerado, volúvel e agressivo, é feito de paciência e constância no bem. É a fidelidade (pistis) do amor, pois quem se apoia em Deus também pode ser fiel (pistós) aos irmãos, não os abandonando nos momentos difíceis, nem se deixando levar pela própria ansiedade, mas mantendo-se ao lado dos outros mesmo quando isso não lhe proporcione qualquer satisfação imediata” (Gaudete Et Exsultate, 112).

A palavra de Deus nos recorda que não devemos pagar o mal com o mal e nem a fazer justiça com as próprias mãos (cf. Rm 12, 17-19). 

Segundo o Papa Francisco, agir conforme esse ensinamento está longe de ser uma fraqueza. Suportar tudo com paciência revela uma verdadeira força, porque o próprio Deus é paciente e grande em poder.

“A firmeza interior, que é obra da graça, impede de nos deixarmos arrastar pela violência que invade a vida social, porque a graça aplaca a vaidade e torna possível a mansidão do coração. O santo não gasta as suas energias a lamentar-se dos erros alheios, é capaz de guardar silêncio sobre os defeitos dos seus irmãos e evita a violência verbal que destrói e maltrata, porque não se julga digno de ser duro com os outros, mas considera-os superiores a si próprio” (Gaudete Et Exsultate, 116).

O Papa Francisco ainda nos repreende: “Não nos faz bem olhar com altivez, assumir o papel de juízes sem piedade, considerar os outros como indignos e pretender continuamente dar lições. Esta é uma forma subtil de violência” (Gaudete Et Exsultate, 117).

Ele  nos recorda que sem humildade não há santidade. 

“Se não fores capaz de suportar e oferecer a Deus algumas humilhações, não és humilde nem estás no caminho da santidade. A santidade que Deus dá à sua Igreja, vem através da humilhação do seu Filho: este é o caminho. A humilhação faz-te semelhante a Jesus, é parte ineludível da imitação de Jesus: «Cristo padeceu por vós, deixando-vos o exemplo, para que sigais os seus passos» (1 Ped 2, 21)” (Gaudete Et Exsultate, 118).

2. Santidade é alegria

Algumas pessoas imaginam que santidade é compatível com a seriedade, com um rosto sisudo, melancólico, desprovido de um sorriso. No entanto, o Papa Francisco nos ensina que a santidade tem o rosto da alegria.

“O santo é capaz de viver com alegria e sentido de humor. Sem perder o realismo, ilumina os outros com um espírito positivo e rico de esperança. Ser cristão é «alegria no Espírito Santo» (Rm 14, 17), porque, «do amor de caridade, segue-se necessariamente a alegria. Pois quem ama sempre se alegra na união com o amado” (Gaudete Et Exsultate, 122).

O tempo todo as Sagradas Escrituras ressaltam a alegria daqueles que tiveram seu encontro com Deus.

Os profetas anunciavam: “exultai de alegria” (Is 12, 6). A Virgem Maria cantou “o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador” (Lc 1,47). Jesus também vivia a alegria da santidade: “Naquele mesma hora, Jesus exultou de alegria no Espírito Santo” (Lc 10, 21).

E quando chegam os tempos difíceis de nossa vida, não podemos permitir que as adversidades roubem nossa alegria. O Papa Francisco nos ensina:  

“Nada pode destruir a alegria sobrenatural, que se adapta e transforma, mas sempre permanece pelo menos como um feixe de luz que nasce da certeza pessoal de, não obstante o contrário, sermos infinitamente amados. É uma segurança interior, uma serenidade cheia de esperança que proporciona uma satisfação espiritual incompreensível à luz dos critérios mundanos” (Gaudete Et Exsultate, 125).

O Papa ainda nos ensina: Em cada situação, devemos manter um espírito flexível, fazendo como São Paulo: aprendi a adaptar-me «às situações em que me encontre» (Flp 4, 11). Isto mesmo vivia São Francisco de Assis, capaz de se comover de gratidão perante um pedaço de pão duro, ou de louvar, feliz, a Deus só pela brisa que acariciava o seu rosto” (Gaudete Et Exsultate, 127).

No entanto, a alegria da santidade não é uma alegria individual ou está em algo que nos proporciona prazeres ocasionais.

“Refiro-me, antes, àquela alegria que se vive em comunhão, que se partilha e comunica, porque «a felicidade está mais em dar do que em receber» (At 20, 35) e «Deus ama quem dá com alegria» (2Cor 9, 7). O amor fraterno multiplica a nossa capacidade de alegria, porque nos torna capazes de rejubilar com o bem dos outros: «alegrai-vos com os que se alegram» (Rm 12,15)” (Gaudete Et Exsultate, 128).

3. A santidade nos torna ousados e ardorosos no anúncio

O Papa Francisco afirma: “a santidade é parresia: é ousadia, é impulso evangelizador que deixa uma marca neste mundo. Para isso ser possível, o próprio Jesus vem ao nosso encontro, repetindo-nos com serenidade e firmeza: «não temais!» (Mc 6,50). «Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos» (Mt 28, 20). Estas palavras permitem-nos partir e servir com aquela atitude cheia de coragem que o Espírito Santo suscitava nos Apóstolos, impelindo-os a anunciar Jesus Cristo. Ousadia, entusiasmo, falar com liberdade, ardor apostólico: tudo isto está contido no termo parresia” (Gaudete Et Exsultate, 129).

O Sumo Pontífice nos recorda também que Deus sempre nos impele a ir além do conhecido, rumo às periferias e aos confins, aonde se encontra a humanidade mais ferida. É lá onde ele está!

“Por isso, se ousarmos ir às periferias, lá O encontraremos: Ele já estará lá. Jesus antecipa-Se-nos no coração daquele irmão, na sua carne ferida, na sua vida oprimida, na sua alma sombria. Ele já está lá” (Gaudete Et Exsultate, 135).

4. A santidade é um caminho comunitário feito de detalhes

“É muito difícil lutar contra a própria concupiscência e contra as ciladas e tentações do demônio e do mundo egoísta, se estivermos isolados”, nos recorda o Papa Francisco.

Ele ainda continua: “A sedução com que nos bombardeiam é tal que, se estivermos demasiado sozinhos, facilmente perdemos o sentido da realidade, a clareza interior, e sucumbimos” (Gaudete Et Exsultate, 140).

Por isso, o Papa nos orienta que “A santificação é um caminho comunitário, que se deve fazer dois a dois” (Gaudete Et Exsultate, 141). 

Ele recorda as diversas comunidades que viveram de modo heróico o Evangelho e que por isso foram canonizadas, como por exemplo, os Santos Fundadores da Ordem dos Servos de Maria.

“De igual modo, há muitos casais santos, onde cada cônjuge foi um instrumento para a santificação do outro. Viver e trabalhar com outros é, sem dúvida, um caminho de crescimento espiritual. São João da Cruz dizia a um discípulo: estás a viver com outros para que te trabalhem e exercitem na virtude” (Gaudete Et Exsultate, 141).

Também na comunidade encontramos um espaço para experimentar a presença mística do Senhor.

“Partilhar a Palavra e celebrar juntos a Eucaristia torna-nos mais irmãos e vai-nos transformando pouco a pouco em comunidade santa e missionária (…). A vida comunitária, na família, na paróquia, na comunidade religiosa ou em qualquer outra, compõe-se de tantos pequenos detalhes diários. Assim acontecia na comunidade santa formada por Jesus, Maria e José, onde se refletiu de forma paradigmática a beleza da comunhão trinitária” (Gaudete Et Exsultate, 142).

O Papa também chama nossa atenção para a vivência de Jesus com seu povo. Atento a tudo e a todos, Jesus ensinou seus discípulos a prestarem atenção aos detalhes: o vinho que faltava; a ovelha que se perdeu; a viúva que ofereceu duas moedas que possuía; o azeite reserva para as lâmpadas, caso o noivo demorasse.  

E sobre esse cuidado, o Papa nos estimula: “A comunidade, que guarda os pequenos detalhes do amor e na qual os membros cuidam uns dos outros e formam um espaço aberto e evangelizador, é lugar da presença do Ressuscitado que a vai santificando segundo o projeto do Pai” (Gaudete Et Exsultate, 145).

5. Em oração constante

Sem oração não é possível a santidade.

“Lembremos que a santidade é feita de abertura habitual à transcendência, que se expressa na oração e na adoração. O santo é uma pessoa com espírito orante, que tem necessidade de comunicar com Deus. É alguém que não suporta asfixiar-se na imanência fechada deste mundo e, no meio dos seus esforços e serviços, suspira por Deus, sai de si erguendo louvores e alarga os seus confins na contemplação do Senhor” (Gaudete Et Exsultate, 147).

O Papa Francisco nos questiona diretamente:

“Tens momentos em que te colocas na Sua presença em silêncio, permaneces com Ele sem pressa, e te deixas olhar por Ele? Deixas que o Seu fogo inflame o teu coração? Se não permites que Jesus alimente nele o calor do amor e da ternura, não terás fogo e, assim, como poderás inflamar o coração dos outros com o teu testemunho e as tuas palavras? E se ainda não consegues, diante do rosto de Cristo, deixar-te curar e transformar, então penetra nas entranhas do Senhor, entra nas suas chagas, porque é nelas que tem a sua sede a misericórdia divina” (Gaudete Et Exsultate, 151).

“Se verdadeiramente reconhecemos que Deus existe, não podemos deixar de O adorar, por vezes num silêncio cheio de enlevo, ou de Lhe cantar em festivo louvor. Assim expressamos o que vivia o Beato Carlos Foucauld, quando disse: «Logo que acreditei que Deus existia, compreendi que só podia viver para Ele». Na própria vida do povo peregrino, há muitos gestos simples de pura adoração, como, por exemplo, quando o olhar do peregrino pousa sobre uma imagem que simboliza a ternura e a proximidade de Deus. O amor detém-se, contempla o mistério, desfruta dele em silêncio” (Gaudete Et Exsultate, 155).

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